terça-feira, 14 de agosto de 2012

Então vinha o medo...


"Então vinha o medo. Não queria aceitar a palavra, empurrava-a para longe do cérebro, mas ela voltava a se impor, e ele estava tão fraco que nem podia lutar. Vinha o medo frio, vinha o medo lento. Primeiro uma carícia brincando nos tornozelos, leve arrepio subindo pelas pernas, arrepiando as coxas. No ventre, solidificava-se feito compressa de carne mole, gelada. No peito, apertava como se quisesse estancar o ritmo do coração, e na garganta implorava para ser transformado em grito. Um grito que quebrasse as paredes, arrebentasse o tecto, como um cavalo selvagem. Mas junto vinha também o cansaço recolhido no fundo do corpo, recusando-se a atender o pedido."

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