"Tu não
complicas, não empreendes, não te assustas, não te baralhas, não te esqueces, e
quando te perdes é de propósito. Imagino-te
sempre como agora e tenho quase a certeza que nunca envelhecerás, porque
guardas o segredo da felicidade, viver um dia atrás do outro, sem pedir mais
ao mundo do que paz, alegria e, de preferência um bom champanhe. Ajudas-me a
conjugar o verbo aceitar, ensinas-me a praticar o verbo esperar, e tens sempre
paciência para mim. Levas-me a
jantar fora quando estou triste e limpas-me as lágrimas quando imagino que o
mundo vai acabar só porque não é tudo como quero e quando quero. E obrigas-me a
ser feliz com o que tenho, em vez de viver com a cabeça sempre enfiada no
futuro. És mais sábio
do que eu e sabes muito bem que o futuro só existe na cabeça das pessoas
complicadas, que gostam de tornar a própria existência difícil. Peço-te que
nunca percas essa capacidade de me sacudir e de me fazer rir, de me pôr a
dançar e a dizer disparates, de despertar em mim uma miúda que nunca cresceu. É que eu não
tive tanta sorte como tu: obrigaram-me a crescer muito depressa."
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